Com efeito devastador e acesso cada vez mais facilitado, as chamadas Novas Substâncias Psicoativas (NSP) se espalham pelo mundo e se consolidam como o maior desafio no combate ao uso de drogas. Esse foi o diagnóstico do Relatório Mundial sobre Drogas, apresentado ontem pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Segundo o documento, enquanto o consumo de drogas tradicionais – como maconha e cocaína – estabilizou, o número das novas sustâncias cresceu 50%, passando de 166, no fim de 2009, para 251, em meados de 2012.
“Parece haver um declínio no uso de drogas tradicionais em algumas partes do mundo, mas o uso de medicamentos prescritos e de novas substâncias psicoactivas está crescendo”, afirmou o diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov.
Como exemplo, o relatório traz a ketamina, substância anestésica usada há mais de 70 anos em animais de grande porte. Outro químico que se populariza no mundo é a benzidamina. O medicamento tem propriedades analgésicas e anestésicas e é usado no tratamento de inflamações da boca e da garganta. Em doses elevadas, ele é usado indevidamente no Brasil e em outros países como um estimulante do sistema nervoso central e delirante (classe especial de alucinógenos). Nesse contexto, sais de banho e até fertilizantes para plantas são inalados como se fossem cocaína.
Praticidade. O doutor em prevenção e tratamento do abuso de drogas Amadeu Roselli Cruz explica que usuários e traficantes estão cada vez mais buscando praticidade e economia. “Nos próximos 30 ou 50 anos, vai cair o uso de drogas que precisam de um terreno grande para ser plantadas, como a maconha e a coca”, afirmou.
Cruz explica ainda que os usuários conseguem, com essas substâncias, efeitos semelhantes aos das drogas convencionais. “A opção de consumo vem da necessidade de ter uma droga mais barata, que não demanda muita logística”, explicou, ressaltando que muitas dessas drogas chegam ao mercado após roubos de carga e que é possível ter acesso a muitas delas até mesmo em farmácias.
Fonte: Jornal o tempo
Globo e Veja viram alvo de manifestantes em novo ato em SP
Repórteres da Globo foram cobrir a manifestação com microfones descaracterizados para evitar que fossem hostilizados
A revista Veja e a Rede Globo foram alvo de manifestações no começo da noite desta terça-feira, em mais um ato contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. "Veja, Globo, o povo não é bobo", era um dos gritos entoados pelos manifestantes na Praça da Sé, na região central da capital.
Assim como no protesto de ontem, os repórteres da Globo foram acompanhar a marcha com seus microfones descaracterizados, numa tentativa de evitar que sejam hostilizados. No ato de segunda, no Largo da Batata, o jornalista Caco Barcelos e a equipe do Profissão Repórter foram expulsos do local por manifestantes com gritos de gritos de “Fora Globo” e “Central Globo de Mentiras”.
No começo do protesto de hoje, alguns manifestantes também carregavam cartazes contra a Globo, mas nenhuma agressão às equipes de jornalismo havia sido registrada.
Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.
Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.
Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho, bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.
O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.
No dia seguinte ao protesto marcado pela violência, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que via "ações coordenadas" oportunistas no movimento, reiterou "a defesa do direito de ir e vir" da população, mas garantiu que não permitirá que os manifestantes prejudiquem a circulação de veículos e pessoas. No mesmo dia, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a polícia deve ser investigada por abusos cometidos, mas não deixou de criticar a ação dos ativistas.
As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.
As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota.
O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.



